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Al Hakim

Meus dias em Lefke

Posted on 17 de dezembro de 202517 de dezembro de 2025

Por Ali Abbas – Naqshbandi de Curitiba

Desde muito cedo, a ansiedade é uma coisa que vinha me acompanhando e como tenho uma memória muito grande, desde a infância eu conheço a sensação ruim, a angústia, o temor pelo novo, pelo desconhecido como se ambos fossem ser sempre uma péssima surpresa.

A necessidade de controle total, ininterrupto, me consumiu por uma grande parte da minha vida e o que nem mesmo os psicólogos ou psiquiatras contam é que essa busca incessante por previsibilidade te sequestra, te aprisiona em grades que são invisíveis. É uma prisão da qual você não consegue se libertar: você pode estar em uma praia, em casa, caminhando na rua e você não consegue sentir paz porque a sua cabeça insiste sempre em fazer uma “varredura mental” pra te mostrar que sempre tem um ponto que você tem que se atentar, por mais irrelevante que seja e que você não pode estar totalmente em paz enquanto não resolver aquela “pendência”. Digo entre aspas porque é a cabeça que “fabrica” estas “pendências”.

O ritmo frenético do cotidiano em vez de ajudar, só potencializa tudo isso: o trânsito, as pessoas que não têm paciência, tudo tem que ser feito imediatamente e de maneira perfeita. Pra um ansioso e perfeccionista, isso é algo penoso porque viver se torna sufocante e os pequenos momentos em que você pensa que consegue relaxar, podem se tornar outro martírio porque basta um detalhe não sair conforme você planejou para que tudo se torne apenas mais um momento de frustração e raiva diluída em toda essa mistura explosiva. Eu me vi sempre indo de um psiquiatra a outro, troca de medicamentos, dosagem…. Mas estar bem, de verdade, isso era algo que eu nunca soube como seria.

Por último, estava fazendo uso de uma medicação quando foi marcada a viagem para Lefke. Eu entrei em contato com o médico, pedi a receita e levei comigo na bagagem caso fosse necessário apresentar para comprovar a necessidade de levar a medicação comigo. Chegando lá, Shaykh Bahauddin me recebeu e fomos para o primeiro dia do Mawlid. Eu estava preocupado porque precisava avisar minha esposa que já havia chegado no destino e deixar tudo pronto para o dia seguinte. Minha cabeça ainda estava no ritmo ansioso, desordenado. Fomos na Dergah e lá tive contato com irmãos do mundo todo. Confesso que de início, eu ainda estava ansioso porque minha programação mental ainda era toda moldada na nossa realidade frenética e o nosso interior, nossa psiquê, tem o próprio ritmo para se adequar à nova dinâmica.

Quando fui ao Ziker, no dia seguinte, me concentrei apenas em permitir que a calma do ambiente refletisse no corpo, para que eu pudesse sentir a energia. Para minha grata surpresa, a sensação de calma e pertencimento começou a se evidenciar, comecei a ficar mais receptivo àquela energia que surgiu naquela atmosfera:

Foi ali que o meu corpo passou a confirmar fisicamente que ali há boa vibração, que ali é um local onde não há motivo para medo ou angústia, aquilo que sentimos e que é intangível, onde o físico e o psicológico entram em estado de fusão, de onde vem a nossa alma. A energia boa, de alta vibração que captamos é o que chamamos de Baraka. A minha descrição por meio de palavras talvez não seja perfeita, não seja a mais adequada, mas é a mais crível que o meu corpo sentiu.

Um compadre e grande amigo meu me disse que Lefke é um hospital de almas, que Lefke cura e sou a confirmação que ele tem toda razão. Quando a energia é boa, o corpo sente e reconhece. Aos poucos, a ansiedade e a necessidade de controle foram dando lugar à paz de espírito, foi algo gradual, orgânico, sem artifícios. Mesmo estando em um local lotado de pessoas (algo que pra mim seria impensável estar), eu fiquei calmo, centrado, porque ali a energia que emanava das pessoas também possuía a mesma vibração.

Não havia cobranças, demandas impossíveis ou necessidade de controle, apenas seres humanos buscando aperfeiçoamento por meio de seus próprios esforços junto a Mawlana. Na praça de Lefke, no primeiro dia, na companhia do irmão Shamir, senti a corrente de força energética por meio das preces, do canto, das vozes, mesmo sem compreender a língua eu sabia que ali havia o enaltecimento do bem e do altruísmo, simbolizados por meio da figura de Mawlana.

Nos dias que se seguiram, conversei com irmãos do mundo todo, estive cercado por milhares de pessoas incríveis, oriundas de culturas diversas, de histórias de vida diferentes e cada uma delas contribuiu para a minha cura. O ser humano não é uma ilha, precisamos uns dos outros para viver, para termos força, para viver com sabedoria. Ao caminhar por aquele vilarejo, fosse no dia ensolarado ou durante a noite, repensei muita coisa na minha vida, na minha maneira de viver, de agir, de conduzir determinadas coisas, das minhas reações às muitas situações e qual o impacto de tudo isso pra mim. O ato de compartilhar os alimentos, de ouvir muito mais do que falar, de observar os mais novos aprendendo com os mais velhos, tudo isso me fez perceber o quanto estamos socialmente e moralmente doentes, que é esse o grande malefício que me destrói, que destrói a outros e que nos destrói. Chegamos ao ponto de “normalizar” toda essa destruição e que não há alternativas, que é normal nos envenenar com medicações numa tentativa de ficarmos anestesiados pelas consequências dessa destruição. Uma vez ouvi uma frase que diz que você pode até ignorar a realidade, mas não consegue ignorar as consequências dessa realidade. É exatamente o que estamos fazendo, todos os dias. Mas em Lefke, posso dizer sem sombra de dúvidas que as doenças sociais e espirituais não se manifestam.

Ao final do Mawlid, minha caixa de remédios ficou cheia, pois durante os dias que lá fiquei não senti necessidade de tomar absolutamente nada. Consegui sentir uma paz e uma tranquilidade que nunca havia experimentado antes. Além disso, em vez de imaginar que o novo e o desconhecido possam ser ruins, aprendi que se trata de uma folha em branco a ser desenhada e que o lápis ou a caneta que vou usar é a materialização das minhas reações:

Tudo depende da sua forma de percepção das coisas. Confesso que até interiorizar isso por completo levará um tempo, nosso cérebro trabalha com padrões e o processo fisiológico de “quebra” não é tão rápido como eu gostaria, mas Lefke me ensinou a questionar todas as minhas reações, e isso já foi uma grande passo em direção à minha evolução.

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