Somente a Ti te elegi, de todas as coisas do mundo; Poderás ver-me sentado cheio de dor? Meu coração é como uma caneta em Tua mão, Tu és a causa da minha alegria ou melancolia. Exceto Tua vontade, que vontade tenho eu? Salvo o que Tu mostras, o que vejo eu? Tu fazes brotar de mim ora um espinho ora uma rosa; Às vezes sinto o perfume de rosas e às vezes arranco espinhos. Se me mantém assim, assim estou. Se quiseres que eu seja assim, assim sou. No cálice onde da cor à alma Quem sou eu, o que são meu amor e meu ódio? Fostes primeiro e último serás; Fazes que meu último seja melhor que meu primeiro. Quando estás oculto, eu me conto entre os infiéis; Quando se manifestas, sou dos fiéis. Não tenho nada que não me outorgaste Tu; O que buscas de meu seio e de minha manga?
Poema: XXX do Diwan de Tabriz – Poema extraído do livro: “Diwan de Shams de Tabriz” de Jalaluddin Rumi (sufi do séc. XIII), pg. 89. Publicado na Revista Al Hakim, primeira edição de setembro de 2021.